Um papo sobre depressão

Que tal tratar de depressão sob uma nova perspectiva? ir por caminhos diferentes dos que ouvimos todos os dias?

Existem, ainda hoje, muitos tabus em torno da depressão. Qual a vantagem de fazer parte de uma nova era se não para desmistificar assuntos com esse?

Comecemos sem tecnicidades, de ser humano para ser humano, sem um dialeto científico complicado de assimilar. Bom, eu poderia, enquanto pessoa que não tem a doença, tentar dizer o que ela é ou não, como a maioria dos textos como este tentam fazer. Mas acho que, como uma dor, só quem poderia defini-la com fidedignidade é alguém que a sente. Foi então que busquei, muito mais que textos científicos, por depoimentos de pessoas que vivem com depressão e isso me fez ver a doença com outros olhos: os de quem a sente.

depressão

Primeiramente, o que é depressão? Segundo Allie Brosh, é a incapacidade de se conectar com tudo ao seu redor. Como uma criança que não consegue mais se conectar com os brinquedos que davam asas à sua imaginação até certa idade, você simplesmente não consegue mais se importar com coisas que antes eram extremamente empolgantes. Vai se desconectando lentamente das sensações externas e passando, cada vez mais, a sentir um imenso nada. Claro que esse conceito muda em grau e rapidez com que acontece de acordo com cada caso. Quanto as causas, elas podem advir de diversos eventos na vida de uma ser humano. Eventos negativamente marcantes, traumas. Como perdas, términos, traição, preconceito sofrido em algum momento entre outros. Também são relevantes e agravadores, em alguns casos, fatores genéticos, como histórico de depressão na família.

Estando já um pouco mais por dentro do assunto, vamos pontuar alguns aspectos importantes: Atualmente, fala-se muito da depressão como o “mal do século”, mas ela nem sempre é tratada com tal seriedade. Os indivíduos que vivem com depressão ainda sofrem muitos julgamentos quando afirmam ter depressão diante de alguém. A grande maioria das pessoas tende a já chegar com inúmeras fórmulas prontas para “curar” a depressão, reencontrar a alegria de viver, “deixar de frescura”, enxergar como a vida é bela e tratando tudo como se fosse muito mais simples do que é na verdade.

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Se você já se pegou alimentando alguma dessas falácias em algum momento da sua vida (como eu já fiz), acho válido lhe contar que você não ajudou muito. Primeiro, porque, como eu já disse, por mais que se tente, você nunca vai estar no lugar daquela pessoa, então você não pode afirmar o quão fácil é sair daquele lugar, lidar com aquele momento. Segundo, porque depressão é uma doença real, tanto quanto qualquer outra, e não deve ser tratada como algo trivial ou que vai se resolver com receitas mirabolantes de um artigo de auto-ajuda que você leu naquela revista velha de alguma sala de espera. Existem evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido. É real. Não é algo que se escolhe, muito menos se escolhe continuar sentindo-se assim após o diagnóstico.

Essa falta de amparo, de informação e de tato, abala imensamente pessoas que têm de conviver com depressão. É muito complicado estar em um meio onde você não se sente compreendido, que por mais que você explique como se sente, as pessoas não procuram aceitar, tratam como algo passageiro, algo a ser ignorado e sempre vão te encher de soluções rasas e óbvias. A cada nova tentativa de explicar sua condição para as pessoas, o indivíduo vai se distanciando mais e mais. É quando a pessoa decide voltar-se para o que está sentindo ao invés de continuar, sem êxito, tentando se explicar.

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E começando a enxergar a si mesma, é que ela começa a resolver como vai lidar com aquilo. E descobre inúmeros recursos muito eficazes como antidepressivos, medicinas alternativas, práticas espirituais, dedicam tempo para arte e outros muitos recursos que podem ser imprescindíveis para o tratamento, mas o principal ponto é aceitar essa condição como parte da sua identidade, decidir conviver com isso, não ficar se culpando e entender que se tem mais é que cuidar de si, se amar, saber que existem todos esses tratamentos e que não se deixa de viver normalmente por causa dessa doença.

Aos poucos a pessoa vai acostumar-se a lidar com isto. Estabelecer o que é melhor para si mesma, o que vai fazê-la sentir-se bem de novo, se empolgar com as velhas e também com novas sensações, buscar os caminhos menos dolorosos e desgastantes possíveis, sem precisar seguir as regras de ninguém, porque ninguém conhece você como você mesmo. E, quanto a quem está vendo tudo isso de fora, ao redor de quem sofre de depressão, a minha dica é a seguinte: Ninguém vai cobrar que você esteja no lugar de ninguém, o que é muito difícil de em algumas situações, inclusive nessa. É mais importante que você faça a pessoa sentir que você está lá, que você vai cuidar e apoiar ela independente de como ela se sinta, ter consciência de que você pode não garantir que tudo vai ficar cem por cento bem, mas estar disposto a caminhar com ela em qualquer direção que a vida dela venha tomar.

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Fontes: RDT Lady Gaga Channel, Hyperbole and a Half, PsicolinNews, Everyone is carring their own cross

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