Por uma construção criativa de um ser coletivo

Coletivo

Construção de seu ‘eu’ dentro do coletivo

Hoje foi um daqueles dias que a gente acorda com uma música na cabeça, uma música que fala de empoderamento, de consciência e da possibilidade de construir a si mesmo junto do coletivo. Dessa vez eram os versos da Legião Urbana que me lembravam algo muito especial. …

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher.  

Minha mãe e minha filha, minha irmã, minha menina

Mas sou minha, só minha e não de quem quiser

Sou Deus, tua Deusa, meu amor

Alguma coisa aconteceu

Do ventre nasce um novo coração”

Taí pra escutar enquanto curte o resto do post:

Legião Urbana – 1° de julho

A canção trouxe também a lembrança de uma das conferências do TEDx, que assisto de quando em quando, na qual Chimamanda Adichie fala de maneira muito bem humorada sobre situações que evidenciam as disparidades entre “ser mulher” e “ser homem” nos moldes da sociedade e cultura atuais. Usando exemplos de situações vividas por ela mesma e por entes próximos, Adichie ilustra e discute questões como gênero, feminismo, violência contra mulher, empoderamento feminino, estigma, entre outros temas. De forma geral, Adichie faz um belo discurso sobre respeito, reconhecimento, empoderamento e amor.

É curioso notar que mesmo tratando o feminismo enquanto um signo de luta e empoderamento das mulheres, Adichie destaca que as lutas feministas, influenciam a sociedade como um todo, determinando o modo como os seres humanos se relacionam. Para além de uma separação meramente biológica, as determinações de gênero enclausuram os indivíduos em categorias de masculino e feminino, construindo identidades rígidas a partir das quais os indivíduos devem se pautar. Ao enrijecer o modo de ser das pessoas, sem ao menos perceber, podamos sua individualidade de um leque imenso de atitudes criativas, autenticas e libertárias. Nesse sentido, o que se preza é a construção e abertura para a multiplicidade do ser humano, seus potenciais e modos de manifestação.

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De fato, o ser humano é atravessado pelo meio em que se insere, constitui e é constituído dentro dos valores da época em que vive, do coletivo de seu momento na história. Desse modo uma das atitudes mais bonitas e ricas do ser humano é aprender a desaprender. Será que o que está posto é realmente o melhor no mundo que experimentamos hoje? Se for melhor, melhor pra quem? Será que podíamos questionar a validade de certos pensamentos e atitudes ao perceber que eles limitam as possibilidades dos indivíduos de crescer, viver, experimentar e experienciar o mundo e a si mesmos?

“Eu quero desaprender para aprender de novo.
Raspar as tintas com que me pintaram.
Desencaixotar emoções, recuperar sentidos” – Rubem Alves

Óbvio que existem diferenças entre homens e mulheres, assim como há diferenças entre os indivíduos em geral, afinal o ser humano é determinado biopsicossocialmente (ou seja, a partir de componente biológicos, psicológicos e sociais). É fácil notar que concepções rígidas sobre o “ser mulher” e o “ser homem” geram expectativas sobre como nós deveríamos nos portar e sobre o que o mundo espera de nós. Esquecemos que somos todos enfim humanos e só devemos responder enquanto tal.

As determinações de gênero são construções sociais dadas à priori, mas enquanto uma construção social são totalmente passível de transformação. Nessa transformação homens e mulheres serão afetados, por isso questionar uma identidade já posta e rígida é algo que requer esforço coletivo. É muito importante os homens se apropriarem de discussões feministas, mas mais importante ainda é a organização de momentos totalmente femininos, autodirigidos, não por uma questão de segregação, mas simplesmente pela possibilidade e riqueza de mulheres discutirem entre si, trocando experiências e depoimentos, recriando e fortalecendo a si mesmas e umas às outras de forma autoral e entre iguais.

Na noção de um coletivo, os sujeitos vão se enquadrando em caixas que lhe cabem, vão respondendo irrefletidamente às expectativas de outros em busca de aceitação e reconhecimento, e assim reproduzem, por anos a fio, padrões sem questioná-los, sem analisar se hoje ainda cabe agir e pensar de tal maneira. Cabe aqui o convite que Adichie me faz toda vez que escuto suas palavras: Nós podemos ser a inspiração de alguém ao travar nossa própria revolução interna, aprendendo a desaprender, autorizando-nos a ser somente nós mesmos e mostrando ao mundo que não há mal nenhum nisso.

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Fonte: TEDx

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