O corpo fala: Dançar como fluir do infinito e a vida

Dançar

Dançar: O poder e fluir deste movimento corporal em nossas vidas

Diz-se que toda criação foi acompanhada de um som ou de uma palavra entoada, proferida em voz alta, sussurrada ou pronunciada sem voz. Considera-se que o canto brota de uma fonte misteriosa, num todo que palpita e vibra, como um dançar no todo que nos engloba.

A música, como o tambor,  cria uma esfera mental que leva ao estado de transe, oração, torpor. Todos os seres humanos e muitos animais são suscetíveis ter sua consciência alterada pelo som: chuva partícula sobre o âmago, o rugir  do vento nas árvores, o bramido do oceano… Mozart! Deixam-nos com uma sensação tão agradável.

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A entoação ou invocação é um ato compassivo, permite aos humanos evocar os Deuses e as grandes forças criativas do Universo até os seus círculos; como um portal no kontinuum – linguagem impossível para a voz falada, ecoando ad infinituum.  Tudo que existe no Universo propaga um som!

1.0 – Cymatika: A arte de representar sons visualmente. Em português, cimática é o estudo da representação física dos sons – quase como uma sinestesia.

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Esferas Universais emitem o que chamamos de “Sinfonia Celestial”  Campos elísios de Psique

Sentaremos ao fogo, agora.

O dançar enquanto movimento do corpo e da alma, é como uma harpa que ao ser tocada produz do som mais lírico e íntimo, ao ruído e delírio: incitação e movimento – fluxo síncrono! Já não se roda na limiar do tempo-espaço, como um navegante para frente e para trás no vácuo, sob a barba infinita do Senhor tempo. Este, contou-me, que vive no Agora: equilibrando um lado com a dança que realizo no outro.

Outrora, tudo está inscrito no Uni-verso.

A raiz da luz,

a espiral das trevas,

Akasha.

Tudo está inscrito.

Não se trata do vácuo,

mas o lugar dos Seres de Névoa,

onde as coisas são e ainda não são,

onde as sombras tem substância e essa substância é diáfana…

A palavra é uma mentira! – a experiência é íntima de cada ser! Como poderia eu descrever-me?

– Não poderia! Gosto de arriscar

A sinfonia do corpo revela em seus reflexos a intríseca conexão do eu com o eu. Em um todo vibrante, o transe ocorre através da fusão de forças criativas! Em recíproca atuação com a natureza instintiva masculina e feminina – Uníssona vibração: A coesão é o que mantém a conexão dos elementos, ou partículas subatômicas colidindo e coexistindo entre si- o ser humano é aquilo que ele mesmo pensa: ” Se pensa no fogo, é o fogo. Da forma ao corpo, o não existir- frenezi

Desci (da)rte ao abismo de si

O corpo fala!

Em um todo de sensações orgásticas,

revelam a natureza da alma:

Gritante

Em meio ao nada

Propagada

para além

da palavra falada

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Um belo dia, dentro de uma edição do século XIX de Thomas Malthus, descobri duas folhas de anotações de meu avô: Era um relato de sua viagem à Sibéria durante a revolução comunista; ali, na remota aldeia de Diedov, apaixonou-se por uma atriz. Segundo meu avô, ela fazia parte de uma espécie de filosofia que julga encontrar em determinado tipo de dança o remédio para todos os males, já que ela permite o contato com a luz do Vértice.

“Ele havia descrito sobre tradições dos habitantes da aldeia de Diedov, eles acreditavam nos poderes curativos do transe.”

“Tudo se move. E tudo se move com um ritmo. E tudo que se move com um ritmo provoca um som; isso está acontecendo aqui e agora, em qualquer lugar do mundo neste momento. Nossos ancestrais notaram a mesma coisa, quando procuravam fugir do frio em suas cavernas: as coisas se moviam e faziam barulho.”

“Os primeiros seres humanos talvez tivessem olhado isso com espanto, e logo em seguida com devoção: entenderam que esta era a maneira de uma Entidade Superior comunicar-se com eles. Passaram a imitar os ruídos e os movimentos à sua volta, na esperança de comunicar-se também com esta Entidade: o dançar e a música acabavam de nascer.”

“Quando danço, sou um espírito livre, posso viajar pelo Universo, SER o aqui e agora, transformar-se em energia pura. E isso me dá um imenso prazer, uma alegria que está sempre muito mais além das coisas que já experimentei, e que terei que experimentar ao longo de minha existência.”

Fragmentos de Hagia Sophia ; .” A Bruxa de Portobello – Paulo Coelho

 

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“Não estamos no mundo, nós nos tornamos, contemplando-o. […] Tornamo-nos universo” (DELEUZE; GUATTARI, 1997, p. Enfim, um corpo-mundo.

Duas noções de aprofundar-se no sentido do corpo: A primeira é uma proposição cinética, em que um corpo se define por relações de movimento (velocidades) e repouso (lentidão) entre partículas, sendo uma maneira de viver. […] é pela velocidade e lentidão que a gente desliza entre as coisas, que a gente se conjuga com outra coisa: Nunca se começa, nunca se recomeça  – a gente desliza por entre, se introduz no meio, abraça-se ou se impõe ritmos (DELEUZE, 2002, p. 128 – grifos meus).

Tampouco se trata de um sujeito. Se em cada corpo há uma infinidade de relações que se compõem e se decompõem, em suas velocidades e lentidões, corpo é multiplicidade.

Dança-mundo: a arte de potencializar a vida

É relativamente comum que a arte seja definida, por diferentes autores, como uma maneira de dar sentido para o mundo (MARQUES, 2003; 2001; GIL, 2004).

Ao considerar a noção de um corpo-mundo, podemos ampliar a percepção a respeito da dança de que tratamos aqui, uma vez que é uma experiência que se dá no corpo, que se faz corpo. Parafraseando José Gil, a dança, assim como a arte em seus diversos modos, não constitui uma evidência inquestionável e está, também, na ordem do inapreensível.

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Gabriel Bicho

Os movimentos aos quais se referem os pensadores nada têm a ver com agitação, com a dança que se faz como entretenimento e lazer, mas com arte. E a arte está no que passa entre os corpos, gerando um corte no fluxo do vivido, fazendo a vida escoar por outros percursos, em diferentes sentidos. Neste aspecto, retomando a coreógrafa alemã Pina Bausch, interessada pelo que move seus bailarinos, retornamos a José Gil, quando ele diz que “o sentido do movimento é o movimento do sentido” (GIL, 2004, p. 44).

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Ao mudar o regime de escoamento de uma energia, dando passagem a outros sentidos, com seus blocos de sensação, o dançar compõe-se de sucessões de micro-acontecimentos que transformam sem cessar o sentido do movimento

 “ O que me interessa não é como as pessoas se movem, mas o que as move.”

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Gabriel Bicho

E esse mover pode ser tanto o poder de afetar, como o de se afetar. Nem passivo, nem ativo, Foucault (2007) isso nos põe a pensar sem dicotomias, sem binarismos,  sem as relações de duplos opostos dominante e dominado, teoria e prática, conceito e vida. Ao mesmo tempo em que produzimos uma ação no mundo, somos afetados por outras ações. E são essas relações que nos configuram como um corpo que está em constante modificação, afetando e sendo afetado, num encadeamento em rede, de corpos transversalizados, interconectados – ainda que em maior ou menor intensidade.

[…] a gestualidade dançada experimenta o movimento (os seus circuitos elétricos,  a sua qualidade, a sua força)

[…] dançar é experimentar, trabalhar os agenciamentos possíveis do corpo (GIL, 2004, p. 54-58). O artista, assim, é aquele que pesquisa sensações, inventando procedimentos diferentes para fazê-las vibrar e delas extrair perceptos e afectos que são, respectivamente, novas maneiras de ver, ouvir e sentir.

Dança-mundo: uma composição de corpos, histórias e processos educacionais agenciamentos. Nesse deslizar, entre velocidades e lentidões, impõem-se ritmos que, ao produzir uma obra de arte, se diferenciam do vivido, o qual tem sua dimensão e sua duração alteradas.

É de toda arte que seria preciso dizer: o artista é mostrador de afectos, em relação com os perceptos ou as visões que nos dá. Não é somente em sua obra que ele os cria, ele os dá para nós e nos faz transformar-nos com eles, ele nos apanha no composto (DELEUZE; GUATTARI, 1997, p. 227)

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O dançar, como arte, tem essa potência de alterar ritmos, modos de (se) sentir, pensar, perceber (n)o mundo, mudando registros de referência. Por fim, “dançar é fluir na imanência” (GIL, 2004), compor-se com a vida e com ela tornar-se dança-mundo, arte-mundo.

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Os sons que planetas, luas, e estrelas emitem é algo incrível. Esses sons vêm de diferentes fontes, como as vibrações eletrônicas dos planetas, suas luas e anéis, seus campos eletromagnéticos. A magnetosfera transforma as ondas de rádio, que passeiam entre o planeta e a parte interior da atmosfera, transformando tudo em uma Sinfonia Celestial.

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Fontes: Caderno Pedagógico, Lajeado V.8 , Addictable

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