Mulher é essência não efêmera – Conto I

Diz-me tu, que vã tentativa estou cá para escrever sobre o ENIGMA – MULHER

O ENIGMA - MULHER

É leite que escorre no meu peito – e estou cá, nem tão bem vestida
repudiada, inibida, inimiga dos que outrora não sabem da marca do teu rosto
E meu corpo – que brota de uma misteriosa fonte, já tão defronte minhas células gritantes
Gritos, versos – grunhidos lancinantes

mulher
Claire Alice Jean

Milhares de séculos que correram, e sangue nas marcas de incógnita da vida
Vestida com seda, cetim. Literatura, piano – flores ao Jardim, latim, nenhum contato com a real história da miséria, a pobreza: favela, Nigéria, destreza

mulher

Eu sou noturna, na noite em que a lua cinge o meu peito – Mulher é guerreira! – excelente arqueira, e com uma grande espada!

Busca no horizonte longínquo – alvorada rege a relva voragem,

Vale por mil, pronta para enfrentar um demônio ou um deus, a cavalo ou a pé.
Domava cavalos selvagens com grande habilidade;

cavalgou através de encostas perigosas, sem nenhum arranhão.
equipada com uma armadura pesada, uma grande espada e um arco poderoso,
e era mais corajosa do que qualquer um de seus outros guerreiros

mulher
Claire Alice Jean

Tu, que serás chamada de Herege, Feiticeira, Bella Donna, La Loba, La huesera-Sibila, Hedoné – Guerreira – Xamã – Pele negra – Volúpia! Que serias tu, mulher… sem elogiar tua loucura nua

em toda tua essência não efêmera – o que é, é! por divina razão – elétrica são tuas raízes e teus olhos fulminantes

mulher
Claire Alice Jean

o cume de tu, toca o fogo, teu poder mental que te joga frente a mim, assusta

terias sim, poderes sobre a matéria- Tu que és egéria em noites turbulentas- transforma a substância etérea no néctar de tua essência

 Mulher, jogada ao abismo de tuas entranhas abarca o Universo que tu és Gaia!

Teu útero, e o sangue de ser – corpo físico, psíquico, mental, espiritual – presença, margem, cheiro, natureza, arquivos secretos, minha lógica errada,  matemática, literatura, poesia, códigos,  hd interno de pastas compartilhadas – elos de tatuagem na alma –

mulher

Seus corações cravados de flechas, arcos- viajantes em nau de Argos! E esses homens, tolos bárbaros
Compatriotas num patriarcado – Séculos em regime fechado!

É sangue que corre em meu peito – Sangue visceral, humano!

Mergulhas tu,  em teu próprio âmago – És o Oceano

O magma da terra que guarda os segredos do fogo,  onde tu, joga tuas raízes mais profundas para te recarregar – para que jorre raios desses olhos, elétrica! Pobre homem, que de ti, nada sabes, jorra de ti, o princípio da luz – a vida, morte-vida, o abismo

Tu, que ardes em tuas próprias chamas, para que possas vir a vida, do teu pó, fênix, és

mulher
Claire Alice Jean

 Cheia de sussurros que agonizam! Palavras que entonadas ao bom tom, se cristalizam no Universo – como pó de sibila, ninfa, só quando quiseres

Meu silêncio ecoa aos quatro cantos nas cavernas ocultas do teu âmago, das chuvas tenebrosas a que tu, mulher, há séculos fostes armadura, é tua própria cura, o néctar da loucura –

e te envolve de rosas – és feiticeira desde ante os tempos, portentosa – ludibriosa e enganadora como a lua,

mulher
Claire Alice Jean

de beladona – a manjerona, manjericão, jasmim, arruda – é da mata , do sussurro das árvores, do entoar do vento, da fuga ao espaço tempo, que tu és…. Voragem!

da ancestralidade que é viva dentro de ti, dos conhecimentos de séculos passados
da ancestralidade subjugada – vestes marcadas pela frieza do olhar

mulher
Mulher da tribo bantu (1936) – Duggan Cronnin

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