Mulher é essência não efêmera, Agartha: La boheme – Conto II

Trocar de corpo no velho tempo, e agora já não me sou – “Sou movimento”

– Que pensas tu? “Eu viera apenas para ver-te no ilusório virtual, e de eras, despida, resolvi falar-te pouco de vida, ás descidas”. Eu a vejo como uma estrela curiosa, que dançava rodopiando o infinito, e desceu, justo no grito dos Universais ecoando: Vai, tu tens que descer a terra! Não tardas, Agartha! Desces a terra! é o chamado por caminho,  Agartha agradece a missão que lhe fora dada, não tarda, logo vai compor o pergaminho que a levará a Conselheira.

ELA
Muita vez eu conversei com ela, duas damas sinuosas e belas, uma infante eterna, eterna, a outra a matriarca do despencar das Eras. Ela me ouvia a maior parte dos dias silente, sem sorrisos de enfrentamento, despida de si, despida de mim. E agora que o frio rosna sua voz de trapo, na Viagem de Inverno que trôpega recomeça, lembro do vazio perdido em mim (onde estará meu vazio, meu tanque de nihil, e que louca sou eu que deixo meu vazio se derreter em trechos da carnatura de meus eus!?). Marianne Liuba Löhnhoff

A história é canal de percepção: Ouça-te, cala – E vês.

Caiu do ar? destacou-se da terra?  não sei; sei que um vulto imenso, uma figura de mulher […] fitando-me uns olhos rutilantes como sol. Tudo nessa figura tinha a vastidão das formas selváticas, e tudo escapava á compreensão do olhar humano, por que os contornos perdiam-se no ambiente, era espessa e diáfana. Estupefato, não disse nada, não cheguei sequer a soltar um grito; mas, ao cabo de algum tempo, que foi breve, perguntei quem era e como se chamava: curiosidade de delírio. Chamo-me Natureza, ou Pandora; sou tua mãe e inimiga. Ao ouví-la, recuei tomado de susto.

mulher
por _moon / Divulgação

O universo mágico dos ciganos caiu-me sobre os ombros quatro dias antes da declaração de guerra em 1939. Desde então ele não me deixou, e não pude desembaraçar-me dessa forma de existência que tornara-se a minha. Eu tinha dezenove anos. Os tempos estavam carregados de angústia e eu estava ali, no começo da noite com aquele homem que acabara de salvar da morte.

            Lembro-me, ainda hoje, o grito do cigano meu acompanhante, quando reconheceu o companheiro:

“Hartiss”!

Repetiu várias vezes esse nome, enquanto o outro se levantava penosamente e agarrava-se a nós para poder transpor o talude. Seus olhos estavam como que velados, e apesar da semi-obscuridade, na pouca luz que a lanterna da bicicleta projetava apareciam-me quase irreais.

“Te chamas Pierre, falou o desconhecido, e eu te esperava há muito tempo, pois estás inscrito em minha existência.”

            Sorriu dando umas pancadinhas secas no cachimbo. Só muito mais tare, dez anos depois compreendi o esforço que fizera ao acendê-lo. “O homem que cede a dor – disse-me nesse dia -, que curva a cabeça, deixa cair os braços e dobra as pernas. Não é um homem. Sobretudo se os outros homens que o escolheram por chefe não o vêem manter-se erguido e levantar-se.

            Hartiss o desconhecido da vala, recusou-se  a montar no cavalo de seu companheiro; fez o trajeto a pé, ao meu lado.

            “Se quiseres, Hartiss, eu te deixo meu cavalo e vou com a bicicleta do “gadjo”, avisar os outros que estás bem.”

            -Vai, Rolf. E diga a eles que este aqui ficará conosco esta noite.

            Eu não me atrevia a protestar e deixava o cigano partir com minha bicicleta. O cavalo ia andando com seu passo regular pela beira da vala. Tinha a impressão de estar vivendo num sonho. Ao meu lado, o cigano não dizia uma palavra; parecia absorto, as vezes virava-me pra ele, apreendia lhe então o olhar no lusco fusco e sentia uma espécie de tranquilidade, um sentimento de paz.

            Não te preocupes por tua mãe, disse ele subitamente pousando sua mão no meu ombro. Para ela os tempos ainda não chegaram, ela terá ainda sorrisos e lágrimas.

            A fala desse homem surpreendera-me; parecia-me ouvir uma linguagem antiga, de uma terra longínqua: como se aquele que se expressava tivesse vivido um século antes. Pensava que ele deveria ter lido muito e que sua linguagem anacrônica fosse o resultado de longas leituras. “Enganas-te, replicou o homem, eu não sei ler”.

            Lembro-me de ter parado estupefato. Ele deu ainda alguns passos, depois colocou suas duas mãos sobre meus ombros. Neste momento um carro atrás de mim varreu com seus faróis o rosto do desconhecido. Num instante imprimi para sempre na minha memória a expressão intensa desse homem, e soube, que ele me amava com a mesma força que comecei a amá-lo.

            “Não deves ter raiva de mim, Pierre, falou de novo, se leio teu pensamento; de ti para mim não é grave, nada é insólito, o que é insólito, são as coisas simples que os homens envolvem em mistério. A vida flui como de uma fonte, mas poucos conhecem o ponto de partida.

            Uma espécie de rumor pairou até nós. Mesclavam-se de latidos, rugidos, grunhidos – e até gritos, de crianças; ás vezes uma blasfêmia sonora explodia como um golpe de címbalos recoberto por vozes agudas de mulheres. “Os homens encontraram o campo, falou-nos o cigano, e o repouso da noite nos fará bem, meu irmão.”

            As vozes tornaram-se mais claras e logo ouvimos o rangido nas rodas nos seus eixos.

            Somente duzentos metros nos separavam da caravana dos ciganos e meu companheiro, parando, me disse:

            “ Uma das mulheres, entre as que vai encontrar, te conhece há muito tempo; ela se chama Agartha, e seu comportamento te parecerá estranho. Não te deves surpreender, ela está no coração da sabedoria.

            As crianças vinham em nossa direção, os cachorros seguiam-nos, uma raposa de cauda cortada fechou o caminho, a cabeça rente ao chão; uma mulher a acompanhava.

            “Agartha!” falou Hartiss e repetiu: Agartha!” vista interiora terrae retificando invenes omnia lapidem: no interior da Terra está oculto o verdadeiro mistério

            No lusco-fusco o olhar de Agartha pousara em mim. […]  Pois diga-me: por que será que nos instantes dessa vida irreal chegamos a conter a respiração? Por quê? Qual o motivo por que o nosso pulso bate mais depressa, as lágrimas afluem nos olhos, as faces ficam afogueadas e todo o seu ser parece dilatar-se num prazer arrebatador? Eu vira Agartha, suas asas eram como que feitas de um translúcido raio de sol, e meus pés ardiam – eu a via, em cujo rosto achara-se pintada uma alma férvida, pujante, porém, estremecida e delicada -, de modo que em seus olhos e em seus olhos sempre tremulava um gesto de ave ferida, a qual já dera os mais belos vôos. Quem era ela que se erguia como a aurora, bela como a lua, fúlgida como o sol, terrível como colunas vexilárias? E com um chumbo na asa, um gesto que só se poderia descrever dizendo que era como a alma do poeta, em sua vã literatura.

Era belo o seu pescoço entre as pérolas e suas faces entre os pingentes, deixa-me ver a tua face, deixa-me ouvir a tua voz,  fonte do jardim, nardo e açafrão, jasmim, canela e cinamomo, mirra e aloé. Sua voz era fresca, porém rouca, e as entonações sobretudo no fim da frase, eram como que suspensas, parecia que ela não acabara de falar, embora ninguém tivesse vontade de interrompê-la.

            Os garotos agora se agarravam a nós, interpelavam-se numa língua desconhecida e saltaram nos ombros de meu companheiro sagrado.

            De novo, a voz de Agartha elevou-se dentre o tumulto: “Flixie, vá dizer aos do campo para falarem francês, quero que cada um esta noite fale francês. O homem da vala tomou então o braço de Agartha e falou: “Cada uma de tuas palavras, Agartha, está carregada de amor e sabedoria.”

            – Oh, Hartiss- replicou ela com seu rouco tom de voz -, não devemos reverenciar aquele que dá a vida ou então a perpetua? E este jovem não se tornou teu pai, pois ele não te deu a vida de novo?

Á minha direita um grande clarão subiu como uma flecha refletindo-se na água de um charco. De golpe, divisei os campos, as carroças, os cavalos, homens, mulheres, jovens, velhos, que me olhavam a caminhar em direção a eles.

            Um cheiro forte de querosene e madeira pairava no ar. A menina me dava a mão. Hartiss e Agartha seguiam as crianças. Um velho destacou-se no grupo e avançou pra mim. Estendeu-me a mão e a minha estendeu-se a ele.

            Então, como um manto de sombra, o universo mágico dos ciganos caiu-me sobre os ombros e quando nossas duas mãos se uniram, tornei-me o que sou, estranho ao que tinha sido. Eles estavam parados diante de mim, como que, para uma fotografia de casamento. Os velhos, as crianças, as belas jovens, uma entre elas de pesadas tranças negro-azuladas, cor de corvo, três espigas de milho presas na orelha esquerda. Vinte pares de olhos pregados em mim. Hartiss tomou-me pela mão e cochichou:

            -Não digas nada, eles sabem.

E Agartha?

Justamente, ela chegava, Agartha chegava. Seus pezinhos pareciam deslizar sobre a terra gorda, mergulhada na bruma matinal. Seu vestido de listras cor de ameixa sobre fundo cinza areia balançava-se ao ritmo de seu andar.

            – Eu te acompanharei, Firmin – disse ela com uma voz estranhamente surda -; encontraremos os Arrak na sete e os de Avron na porta de Paris.

            Eu tinha a impressão de viver como um sonâmbulo, tanto o que me cercava parecia estranho. Apoiada contra a roda de uma carroça, minha bicicleta convidava-me a fuga. A menos de 12 quilômetros meus pais deveriam inquietar-se com minha ausência. Agartha veio em minha direção.

            – A fuga é o refúgio dos covardes – disse –  e o arrependimento só atinge o coração dos fracos,Sua mão apertava a minha. Eu ficava. Assisti a todos os preparativos, e, quando Hartiss surgiu na esquadria da porta da carroça de Firmin, meu coração estava tranquilo.

            O trem que levaria Arthuro e Sampion desapareceu de minha vista, enquanto que a presença deles ressoava ainda em meus ouvidos. No cais da estação de Voves só ficara Agartha, apoiada contra mim, e o chefe da estação que, com o rabo dos olhos, vigiava o estranho casal que nós formávamos.

            A chuva começou a cair, uma chuva fina e maldosa, uma dessas chuvas apertadas e densas como a neblina da Inglaterra.

            – Vamos? –Dicimus quia urgeat pulsus cordis et movemur , sed quia est organum latent intus latet: Dizemos que o coração urge não porque pulse e se mova, mas porque é uma víscera, porque é oculto e latente dentro do corpo – disse Agartha, tomando-me do braço.

A estrada desfilava como uma paisagem familiar. Longe, o campo tornou-se logo visível. Os retângulos luminosos das pequenas janelas piscavam como faróis de barcaças. No meu braço, a pressão da mão de Agartha tornara-se mais forte. Caminhávamos em silêncio; na  relva úmida nossos rastros deslizavam com um rumor de água. Sob as rodas da carroça a raposa agitou-se.

A corrente que a mantinha presa tilintou – A paz! – cochichou Agartha.

Ela franqueou de um salto uma poça d’água, espelho trêmulo onde se deformava o retângulo de glauca claridade que caía da carroça de Firmin.

– Tu vens? – Crudelius est quam mori semper mortem timere: quem teme a morte morre duas vezes, disse ela em cima dos três degraus de sua carroça. Eu entrava na sombra de sua morada ambulante. Divisava- a entre os reflexos dançarinos da lamparina dos ícones. Depois o estalido de um fósforo; seu rosto banhado de chuva apareceu-me por um momento, como que transfigurado. Mas já a chama da lâmpada de querosene revelava-me os segredos do pequeno aposento.

Foi então como se eu tivesse posto os pés num lugar fora do tempo; tudo aqui era estranho, o teto, as paredes cobertas de tecidos de cores variadas; não havia cama, porém uma quantidade de almofadas de fazenda, feitas de couro, colocadas ao fundo. Um armário suspenso no teto. Um samovar sobre uma bandeja de cobre brilhava em todo o seu esplendor de metal polido. Por cima deste, na parede á esquerda, dois ícones refletiam a graça de seus sorrisos na chama dançante de uma lamparina opalescente. Um fogareiro a gasolina, ao lado da porta, distribuía um calor tranquilo e agradável. Nada de mesas, nem cadeiras, nenhum utensílio de cozinha, somente penduradas em ganchos, sete xícaras de cozinha de porcelana – cor de vinho Bordeaux, balançavam-se ao mínimo movimento da carroça. Sobre uma prateleira, uma série de potes de cerâmica, fechados com rolha de cortiça.

– Muito bem! – Falou Agartha

Com um gesto desembaraçara-se da capa, depois, abrindo a fivela do cinto, deixou cair a saia. Apareceu-me numa espécie de vestido-combinação, cuja parte de cima servia-lhe de corpinho quando usava a saia em corola. Pendurou a saia em pequenos cabides disfarçados por um pedaço de pano. Meu paletó e meu impermeável tomaram lugar ao lado, a cortina, caiu de novo, e eu admirava a harmonia desprendida desse lugar estranho. Nada perturbava aquela ordem. Eu via Agartha diante de mim, que ajoelhada, frente ao samovar, se ocupava da preparação do chá. De quando em quando ela atirava na pequena chaminé uns grãos parecendo cristais. Desprendia-se uma fumaça perfumada. Tinha a impressão de respirar um imenso buquê de flores; esse perfume não tinha relação com nenhum outro que desde aí tive a ocasião de respirar, como os preparados dos árabes ou turcos; penso que proviria da Índia (Pg 16)

Depois da primeira xícara de chá o riso de Agartha apagou, -como que, sufocado.

O homem que se recusa ao sonho, se recusa a vida – disse ela; tu se quiseres poderá viver nesta hora o que a vida te dará dentro de vinte anos. Queres? Poucos homens de tua raça viveram o que te será dado viver. A partir deste momento arderás em fogo árduo – Eu aceitava.

É condição de toda e qualquer realidade passar pela dualidade de Si-mesma: aquilo que é quando plenitude, e aquilo que é quando ruína. Agora lançaremos nossos olhos, a história – como uma linha que liga o Universo, aos seres humanos: Ruína! Depois a realidade cessara de habitar o carro: Agartha rejuvenescia. Hipnose? Feitiçaria? Não saberei dizer, mas o fato que estava diante de meus olhos, palpável. A quinquagenária tornara-se uma jovem, irradiava do mais oculto de seu interior, uma luz –   e eu que não pudera ficar de olhos abertos, refratava ao nítido espectro do meu olhar seus raios férvidos! como que opalescentes, deixavam-me na limiar entre a Loucura e a Irrealidade. Ambas muito amigas, sorridentes. Recordo-me, Agartha, de teus olhos, que, semelhantes a dois espelhos fascinantes, imprimiam no meu espírito as imagens moventes para que eu me lembrasse palavra por palavra de tuas profecias. Sua voz conservava aquela entonação particular  que a diferenciava do comum– É Baba Yaga – A voz Ancestral, e essa voz dizia:

– Eu já existo em alguma parte. Sou uma menina que reconhecerás no dia em que me encontrares. Esta pessoa se tornará meu segundo eu, e meu poder sobre ti, será idêntico. Serei indestrutíveis, mas hão de querer vos destruir; sereis amor e vos odiarão; sereis os únicos a respirar as flores de vosso jardim; sereis força por que sereis amor e os gadjés que se voltarem contra vós sofrerão o círculo de vossa “aura” segundo o que levarem nos seus corações: amor ou ódio. Tua gente não irá mais atrás de ti, eles te afastarão, como eles não te compreenderão, tuas ações lhe parecerão estranhas. Outros terão inveja de ti, e te odiarão – No mais profundo, seus sentimentos serão transformados em Temor e Piedade. O amor te pesará sobre os ombros, como poucos homens terão na vida a sorte de aguentá-lo. Tua existência será plena – terás virtude como o bálsamo para alma, não conhecerás o arrependimento, nem o remorso. Aqueles que amares serão marcados pela serenidade. Homens virão ao teu encontro e te reconhecerão. Para eles, afastarás com tua espada a barreira do sangue, eles se tornarão teus irmãos e te farão vencer as etapas da sabedoria que leva ao Silêncio, por que só no silêncio o pássaro reconhece o canto do pássaro, o homem perante Si  – escuta o eco, que diz: Vem, homem de boa vontade – Eu sou o Oceano presente na menor partícula que vive a ecoar no teu corpo – de tuas indagações basta que procure a chave para salvar-te! no Oco do Mundo, o teu coração divaga, e tu, voa de leves asas – Sabes que Deves descer, no raio do interior da terra, desces ás chamas! Tu desces!

Para alguns, serás malvado e inquietante; para outros, serás o homem que seguimos passo a passo sobre o qual se modela a própria Essência – É o néctar do fogo – extraída da combustão do Chumbo em Ouro. Alquimia Interna. Então tua regra será a prudência, por que o coração dos homens é como um pomar, e muitas vezes a colheita depende do jardineiro. Alguns de teus filhos serão marcados com o sinal da noite, serão os enxertos sábios da árvore que plantaste. Todos aqueles que te marcarem no mal receberão o choque de volta em sete anos. Se te lesarem, serão lesados. Se te faltarem com as palavras, faltarão para com eles com a palavra que lhes for dada. Serão amados aqueles que te amaram, e aqueles que não te amaram também. Ao envelhecer, pois envelhecerás, possuíras “boa mão” e em certos dias a clarividência. Tu mesmo te obrigarás a certas renúncias; a alegria habitará no teu coração até o fim. Ah, homem! Arder em tuas próprias chamas deves querer, como pretendes renovar-te sem antes te reduzires a pó?

A noite lhe será leve, se tu viveres sob o sinal do Sol.

Eis o que me predisse Agartha, alguns dias após ter salvo a vida de Hartiss, o feiticeiro. E foi assim, que tudo começou! Essas palavras me eram incompreensíveis. Entretanto, sete anos mais tarde, reconheci em minha mulher a jovem que possuía no olhar profundo, fulminante – a essência inata de Ser – Agartha, a boêmia.

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por _moon / Divulgação

Extraído do Livro: Tradições Ocultas dos Ciganos – Pierre Derlon, com alguns vôos meus.

— A Idéia do Teatro, José Ortega y Gasset

Umberto Eco, em “O nome da Rosa”. [tradução de Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de Andrade]. 2ª ed., Rio de Janeiro: Editora Record, 2010.

— Fiódor Dostoiévski, in “Noites Brancas” (Fragmentos)

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