Capoeira: da paixão à ajuda humanitária

capoeira

Congolense usa a capoeira para ajudar crianças marcadas pelas guerrilhas

Quando se encantou pela Capoeira, Yanni N’Salambo de Wouters era um garoto que vivia nas ruas de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. A arte brasileira que mistura música, dança e luta, teria transformado sua vida para sempre, segundo relata.  Atualmente Yanni trabalha no projeto Capoeira pela Paz, criado pela Embaixada do Brasil no país africano e executado pela Unicef para ressocializar ex-crianças-soldado. Tiradas de suas casas e levadas por guerrilheiros, essas crianças vivenciam os horrores da guerra. Depois que são libertadas, são levadas ao centros de acolhimento. Yanni atua em um desses centros, na cidade de Goma. Em nossa rápida conversa, ele se mostra feliz com o que faz e grato pelo aprendizado.

Capoeira
Yanni N’Salambo de Wouters

Como você começou a jogar capoeira?

A primeira vez que vi o filme Esporte Sangrento (Only the Strong, EUA, 1993), com Mark Dacascos, senti o amor com capoeira. Mas a coisa é que eu não sabia como e onde eu iria aprender. Com sorte (coincidentemente), dois anos depois, foi organizado um festival na minha vizinhança. Eu tinha 17 anos. Naquele festival, houve uma apresentação do Braz (Augusto de Oliveira), um brasileiro que morava e trabalhava como professor de capoeira em Bruxelas. Ele veio apenas para a demonstração de capoeira. Fiquei muito impressionado. para ver e “tocar” a capoeira pela minha mão, pelos meus olhos e pela minha alma. De repente, eu era um dos seu alunos por uma semana. Depois que eu aprendi cinco movimentos, Braz voltou para Bruxelas e passei a procurar vídeos de capoeira pela Internet para melhorar minhas habilidades e ensinar todos os jovens que eu conhecia, a maioria deles crianças de rua e órfãos.

Como você se sente hoje, jogando capoeira no projeto da UNICEF?

Além de jogar com os jovens e orientá-las com capoeira, me sinto muito orgulhoso do que faço. A capoeira deu outra dimensão à minha vida e para aqueles jovens que eu treino há pouco pouco mais de 10 anos. Através de Capoeira, me sinto confiante para encarar situações difíceis. Ela me permitiu tomar o controle total do meu corpo e gerir emoções. Me dá imensa alegria em ver jovens desfavorecidos, crianças recrutadas à força por grupos armados e que sofrem vários tipos de injustiça, ter alegria para jogar capoeira e esquecer completamente a situação precária em que vivem. É um prazer trabalhar com a Unicef e ajudar estes jovens. Tudo isso me faz um homem feliz.

Estou muito feliz por você. Você tem uma grande história.

Obrigado …

Algum dia, espero conhecer o seu País.

Você é bem-vindo. E eu vou ser muito feliz em conhecê-lo e talvez jogar capoeira.

Capoeira
Fevereiro de 2016. O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, visita o projeto Capoeira Pela Paz em Goma, na República Democrática do Congo.

Fonte: Unicef DR Congo, Ministério das Relações Exteriores.

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